quarta-feira, 27 de maio de 2015



Quando dois corações se encontram, 
os corpos costumam não se bastar, 
tamanha euforia na alma. 
Agora, quando seis corações se reencontram... 
É indizível. 
Só nós, desde sempre, é que sabemos do que estamos falando... 
Ou melhor, sentindo. 
Gratidão eterna, irmãs tão ternas. 
A caminhada tem mais beleza e sentido com vocês por perto.

terça-feira, 19 de maio de 2015

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O cântico da terra

Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

segunda-feira, 4 de maio de 2015


Para algumas coisas na vida é preciso tanta coragem, mas tanta coragem, que meu peito para e me pergunta aonde eu pretendo chegar com tamanho arremesso.
Após a paralisia vem um mergulho nas profundezas desse meu mar de emoções que me levam ao desconhecido e ao mesmo tempo tão familiar sentimento de medo.
No medo eu me deleito, me ajeito e desajeito. Reencontro a velha zona de desconforto que me ilude numa aparente defesa e no descanso sem paz.
Ali eu passo anos, séculos, acreditando estar vivendo sem as armadilhas do meu inconsciente até que num descuido da obscuridade eu percebo, sem muita exatidão, o emaranhado das minhas incertezas.
E nesse lampejo de lucidez vislumbro a cura. Entrevejo a libertação definitiva dos vícios relacionais dos meus ancestrais. Diviso a melhor herança que posso deixar aos que virão depois de mim.
Por isso, tudo que me resta nesse momento é pedir ao meu peito em forma de decreto, coragem! Estou aqui.