Para algumas coisas na vida é preciso tanta coragem, mas tanta coragem, que meu peito para e me pergunta aonde eu pretendo chegar com tamanho arremesso.
Após a paralisia vem um mergulho nas profundezas desse meu mar de emoções que me levam ao desconhecido e ao mesmo tempo tão familiar sentimento de medo.
No medo eu me deleito, me ajeito e desajeito. Reencontro a velha zona de desconforto que me ilude numa aparente defesa e no descanso sem paz.
Ali eu passo anos, séculos, acreditando estar vivendo sem as armadilhas do meu inconsciente até que num descuido da obscuridade eu percebo, sem muita exatidão, o emaranhado das minhas incertezas.
E nesse lampejo de lucidez vislumbro a cura. Entrevejo a libertação definitiva dos vícios relacionais dos meus ancestrais. Diviso a melhor herança que posso deixar aos que virão depois de mim.
Por isso, tudo que me resta nesse momento é pedir ao meu peito em forma de decreto, coragem! Estou aqui.